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Depósito de Textos Literários

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121 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Set 17, 2016 10:03 pm

Otávio

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Spoiler:
Pedro Nava escreveu:O defunto


Quando morto estiver meu corpo,
Evitem os inúteis disfarces,
Os disfarces com que os vivos,
Só por piedade consigo,
Procuram apagar no Morto
O grande castigo da Morte.


Não quero caixão de verniz
Nem os ramalhetes distintos,
Os superfinos candelabros
E as discretas decorações.


Quero a morte com mau-gosto!


Dêem-me coroas de pano.
Dêem-me as flores de roxo pano,
Angustiosas flores de pano,
Enormes coroas maciças,
Como enormes salva-vidas,
Com fitas negras pendentes.


E descubram bem minha cara:
Que a vejam bem os amigos.
Que não a esqueçam os amigos.
Que ela ponha nos seus espíritos
A incerteza, o pavor, o pasmo.
E a cada um leve bem nítida
A idéia da própria morte.


Descubram bem esta cara!


Descubram bem estas mãos.
Não se esqueçam destas mãos!
Meus amigos, olhem as mãos!
Onde andaram, que fizeram,
Em que sexos demoraram
Seus sabidos quirodáctilos?


Foram nelas esboçados
Todos os gestos malditos:
Até os furtos fracassados
E interrompidos assassinatos.


— Meus amigos! olhem as mãos
Que mentiram às vossas mãos...
Não se esqueçam! Elas fugiram
Da suprema purificação
Dos possíveis suicídios.


— Meus amigos, olhem as mãos!
As minhas e as vossas mãos!


Descubram bem minhas mãos!


Descubram todo o meu corpo.
Exibam todo o meu corpo,
E até mesmo do meu corpo
As partes excomungadas,
As sujas partes sem perdão.


— Meus amigos, olhem as partes...
Fujam das partes,
Das punitivas, malditas partes ...


E, eu quero a morte nua e crua,
Terrífica e habitual,
Com o seu velório habitual.


— Ah! o seu velório habitual!


Não me envolvam em lençol:
A franciscana humildade
Bem sabeis que não se casa
Com meu amor da Carne,
Com meu apego ao Mundo.


E quero ir de casimira:
De jaquetão com debrum,
Calça listrada, plastron...
E os mais altos colarinhos.


Dêem-me um terno de Ministro
Ou roupa nova de noivo ...
E assim Solene e sinistro,
Quero ser um tal defunto,
Um morto tão acabado,
Tão aflitivo e pungente,
Que sua lembrança envenene
O que resta aos amigos
De vida sem minha vida.


— Meus, amigos, lembrem de mim.
Se não de mim, deste morto,
Deste pobre terrível morto
Que vai se deitar para sempre
Calçando sapatos novos!
Que se vai como se vão


Os penetras escorraçados,
As prostitutas recusadas,
Os amantes despedidos,
Como os que saem enxotados
E tornariam sem brio
A qualquer gesto de chamada.


Meus amigos, tenham pena,
Senão do morto, ao menos
Dos dois sapatos do morto!
Dos seus incríveis, patéticos
Sapatos pretos de verniz.
Olhem bem estes sapatos,
E olhai os vossos também.

122 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Nov 07, 2016 7:41 pm

Renato Luiz

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Madrugada Eterna

O coração de um sol que já não pulsa.
A vontade vazia de um jovem triste
Que não acorda, nem dorme – só existe.
O Escuro do quarto, a consciência avulsa.

Tudo… tudo o que há, a treva engole
E, pairando em frente aos meus medos
Flutuo, com pavor, como em dedos,
Nas mãos magras desta mãe sem prole!

Ecoa, porém, em meu crânio sonolento
A energia caótica de um trôpego alento:
Da natureza, a força egoísta e falsa
Também tudo apanha, numa rede esparsa!

Ó noite de silêncio ininterrupto!
Converta-me num ser mais vivo
Preenchido do instinto mais lascivo
Tira-me o arbítrio de ser-ou-não corrupto…

Faça-me um mero bicho entregue à sorte
Neste chão frio em que não há morte
nem vitória, nem dor, nem ganho…

Madrugada Universal dos sonhos meus,
Que não acaba, e nem mata os filhos teus
Deixa-me morrer em teu ventre estranho!



Última edição por Renato Luiz em Ter Nov 08, 2016 1:26 pm, editado 3 vez(es)

http://egocerebral.blogspot.com

123 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Nov 07, 2016 7:52 pm

Renato Luiz

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Acho q essa ficou boa mog

http://egocerebral.blogspot.com

124 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Nov 07, 2016 8:27 pm

Otávio

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Brecht escreveu:
Vou fazer o papel de uma bêbada
que vende os filhos
em Paris, nos tempos da Comuna.
Tenho apenas cinco réplicas.

E preciso de me deslocar, de subir a rua.
Caminharei como gente livre,
gente que só o álcool
quis libertar e voltar-me-ei
para o público.
Analisei as minhas cinco réplicas como os documentos
que se lavam com ácido para descobrir sob os caracteres visíveis
outros possíveis caracteres. Pronunciarei cada réplica
com a melhor acusação
contra mim e contra todos os que me olham.

Se eu não refletisse, maquilar-me-ia simplesmente
como uma velha beberrona
doente e decadente. Mas vou entrar em cena
como uma bela mulher que guarda a marca da distribuição
na pálida pele outrora macia e agora cheia de rugas
outrora atraente e agora repelida
pra que ao vê-la cada um se interrogue: quem
fez isto?

125 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 10:58 am

@StreetPreachers

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Renato Luiz escreveu:Acho q essa ficou boa mog
Ficou bom sim ^^

https://www.skoob.com.br/usuario/3850039

126 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 1:59 pm

Renato Luiz

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@StreetPreachers escreveu:
Renato Luiz escreveu:Acho q essa ficou boa mog
Ficou bom sim ^^

Agora melhorou. O nome se encaixou melhor no poema, mas o anterior é sensacional... Think já sei, vai ser o nome do livro Fuckyea



Última edição por Renato Luiz em Ter Nov 08, 2016 2:04 pm, editado 1 vez(es)

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127 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 1:59 pm

Renato Luiz

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Intensidade


Levanta da cama.
Abre a janela.
Bebe um copo d’água.
Sai de casa, vai para algum lugar.
Pra onde não importa.
Anda em passos lentos, sem destino ou não.

A cada passo que deres,
A cada copo que beberes,
Faça-o com profundo amor –
Ou intenso ódio. Do fundo do teu âmago
Dedica-te. Derrama-te em cada
Ato, em cada gesto, em cada fala.
De conteúdo, de paixão, enche a vida.

Se não canto, ao menos grito.
Se não rio, ao menos choro.
Se não escrevo, leio.
Não sou feliz: mas vivo!
Há quem diga que só se é feliz depois da morte…

Tudo faça como quem agradece
A esta dádiva incerta,
Esta bênção maldita que é estar vivo.
Seja grato. A Deus, à própria vida…
Não sei a quem.
Talvez a ninguém. Mas seja grato!

....


Ou não – tu é quem sabes.



Última edição por Renato Luiz em Ter Nov 08, 2016 4:44 pm, editado 2 vez(es)

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128 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 2:16 pm

@StreetPreachers

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Renato Luiz escreveu:Agora melhorou. O nome se encaixou melhor no poema, mas o anterior é sensacional...  Think  já sei, vai ser o nome do livro Fuckyea
Sim, agora encaixou melhor  Think
Notbad Já tá pensando no livro, que chique!
Spoiler:
Falo isso mas eu mesma tô escrevendo um Cachorrim

https://www.skoob.com.br/usuario/3850039

129 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 2:17 pm

Renato Luiz

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@StreetPreachers escreveu:
Renato Luiz escreveu:Agora melhorou. O nome se encaixou melhor no poema, mas o anterior é sensacional...  Think  já sei, vai ser o nome do livro Fuckyea
Sim, agora encaixou melhor  Think
Notbad Já tá pensando no livro, que chique!
Spoiler:
Falo isso mas eu mesma tô escrevendo um Cachorrim

Opa, já tenho dois poemas L0L Foda-se zuera

Vc tá msm? :0

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130 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 2:21 pm

@StreetPreachers

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Renato Luiz escreveu:
Opa, já tenho dois poemas L0L Foda-se  zuera

Vc tá msm? :0
kkkk Já é um começo Cachorrim

Sim ^^ por enquanto só tem 9 páginas porque é difícil eu achar tempo, mas quando eu animo dá para escrever um bocadinho.
Spoiler:
Agora se é algo que presta eu não sei Foda-se

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131 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 2:31 pm

Renato Luiz

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Não se preocupe com a qualidade, só vai escrevendo. Como diz o ditado, a prática leva a perfeição, e água mole em pedra dura tanto bate até que nunca se endireita, filho de peixe e outro do caçador, e aguas passadas não movem camarão que a onda leva.

http://egocerebral.blogspot.com

132 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Nov 08, 2016 2:40 pm

@StreetPreachers

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Renato Luiz escreveu:Não se preocupe com a qualidade, só vai escrevendo. Como diz o ditado, a prática leva a perfeição, e água mole em pedra dura tanto bate até que nunca se endireita, filho de peixe e outro do caçador, e aguas passadas não movem camarão que a onda leva.
kkkkkkkkk kkkkkkkkk seu bobo.

(; obrigada, vou me lembrar disso.

https://www.skoob.com.br/usuario/3850039

133 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Jan 10, 2017 4:04 pm

Renato Luiz

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Curtam minha página ai Eaaaaaaaaaaaaaaaaaaa  vou começar a postar com frequência, uns poema e pa

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134 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Jan 10, 2017 4:05 pm

Renato Luiz

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Hj chegou a 500 likes Fuckyea Maneiro

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135 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Jan 10, 2017 5:28 pm

@StreetPreachers

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Renato Luiz escreveu:Hj chegou a 500 likes Fuckyea  Maneiro
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\o/

https://www.skoob.com.br/usuario/3850039

136 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jan 14, 2017 12:03 am

A.L.

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Porque eu não pude parar para a Morte:
Emily Dickinson escreveu:Porque eu não pude parar para a Morte –
Ela gentilmente parou para mim –
Na Carruagem, apenas nós –
E a Imortalidade.

Nós viajamos lentamente – Ela não tinha pressa
E eu tive de pôr de lado
Meu trabalho e meu lazer,
Por Delicadeza –

Passamos pela Escola, onde Crianças se exercitavam
No Recreio – no Pátio –
Passamos pelos Campos dos Grãos Maduros –
Passamos pelo Sol Poente –

Ou melhor – Ele passou por nós –
O Orvalho veio tremulante e cálido –
Apenas como Fina Trama, minhas Vestes –
Meu Xale – apenas Tule –

Estacamos diante duma Casa que parecia
Uma Elevação do Solo –
Do Telhado pouco se via –
A Cornija – a tocar o Chão –

Desde então – por Séculos – e ainda
Mais breve que o Dia
Constatei que as Cabeças dos Cavalos
Voltavam-se para a Eternidade –

https://cidade-floresta.blogspot.com.br/

137 Re: Depósito de Textos Literários em Ter Jan 31, 2017 8:13 pm

Renato Luiz

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138 Re: Depósito de Textos Literários em Sex Jul 07, 2017 11:19 pm

Otávio

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Pascal escreveu:É justo que o que é justo seja seguido e é necessário que o que é mais forte seja seguido. A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. A justiça sem a força é contestada, porque há sempre maus; a força sem a justiça é acusada. É preciso portanto pôr em conjunto a justiça e a força, e, por isso, fazer com que o que é justo seja forte, e o que é forte seja justo.
A justiça está sujeita à disputa, a força é muito reconhecível e sem disputa. Assim não se pode dar a força à justiça, porque a força contradisse a justiça e disse que era injusta, e disse que era ela que era justa. E assim, não podendo fazer com que o que é justo fosse forte, fez-se com que o que é forte fosse justo.

139 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 1:38 am

A.L.

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isso é quase um trava linguas

https://cidade-floresta.blogspot.com.br/

140 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 1:38 am

A.L.

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e bem vindo de volta IronicNice

https://cidade-floresta.blogspot.com.br/

141 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 7:17 pm

White

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The Horizon

by Nicolas Santana

         Quietly the sunday morning arrived at Saint City. The sky was cleaning itself from it's darkness, and a shining blue was appearing in the often unspeakable gradient that humans can't quite say where it begins and where it ends. Some stars, as they fade away, sang a farewell song to the observer who was paying attention to their dying gleaming at the sixth hour of the day that began out of one quarter of it's time.

               Beautiful as it could be, that morning could not be grasped at this particular trait, by the observer. The shades of yellow and orange were appearing and disappearing at the will of the Sun, that was previously hiding himself at the other side of the mountain, that the observer regarded as the Sun's perceived  obstacle.

                  But the Sun could laugh at the observer's pathetic sight, if only the Sun could see the observer. The Sun ablaze without fire couldn't pay attention to the observer, only the observer could pay attention to the Sun. The observer wasn't ablaze, but he had fire in his mind, fire that had been burning numerous thoughts, in the length of time of that sunless morning. With the remains of such fire, the ashes, he would again burn more thoughts in future sunless mornings.

                      But what the observer truly wanted to do, was to spangle with those ashes, the ever-changing canvas of his sight.

http://www.rockandtudo.com

142 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 8:32 pm

White

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Renato Luiz escreveu:Curtam minha página ai Eaaaaaaaaaaaaaaaaaaa  vou começar a postar com frequência, uns poema e pa

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that's great man

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143 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 8:35 pm

White

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I like this thread. It shall be my publishing company. You wonderful gentlepeople will appreciate my writing from here.

http://www.rockandtudo.com

144 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 8:55 pm

White

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This is absolutely improvised writing. So if I'm good just quote what I say, if it's not just quote it with sad face and then I'll quit and pursue my career in having two arms strong enough to move things around.

The White Table

By Nicolas Santana

The White tablle is sadly made of plastic, and it lies around a confined and equally sad space, ridden with the good ol' quiet desperation, that is not just the english way, it is the worldly sad people human way. To be quiet is to be sad, otherwise you would be acting, like an excited person would do. But if this white plastic tables is lying around a confined inhabited space, it is because that table is waiting for something that it does not know about, because it can't think for itself. The table awaits for something that do can think for itself and not just be around like the white table itself. The table awaits, for the time needed that has yet to be revealed it's exact volume.


The thinking being that shall bring a halt for the waiting of the white table can't possible be aware of his so important role in the life of a white plastic table, but he knows that it might have something to do with it's existence in his own confined space, it is, to fullfill some purpose other than having his useless and superfulous utensils upon it. It urges for something else, but what is something else? If the White plastic table can't answer such question, how could the being, that shall use it, achieve such task? I think I can answer such question, me, the narrator of nothing at all says: Something else stands for the unkown powers that sitting and staring at the white plastic table might spawn.

You and I know that such powers might never be spawned, but the very concept of such thing happening is in itself an valuable event of the unhappened things in life, that can only lurk in the pathetic fields of the mind. But they're there, and they might in one moment at any point of space and time, come out and reveal itself to the audience, that frightenly awaits for something to be afraid or awed by.

http://www.rockandtudo.com

145 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 9:03 pm

White

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July 7 2016 - 19:07

The superior gentleman, Phillip arrived at the manoir of his friend in Chamonix, where he planned to spend a great summer afternoon away from his disturbing lifestyle in new york. He knew that despite his endeavours at the city (that might be called the capital of the world) he needed to rehearse his emotions related to life itself at a quite place in the middle of an european town. Being european meant that city needed not to crave for the spetacular glorious corporate achievemens of the new world and it's mecca, New York. Being european meant that all the glory that might be bestowed upon that sacred and hisorical land has already been laid down by millenia. The cosmopolitan New York had yet a point to make, and that point would not be made until the very city that craved glory and success so much had to be broken down by the misfortunes of grandiosity, as any glorious group of thriving spiritual-weak humans has failed, New York would fall, but Phillip couldn't possibly know about that, because he was at the top of the world, and from there, his eyesight couldn't capture the cracks on the foundations that lied so deep down, near to the little people. He enjoyed Chamonix, but chamonix would never enjoy him. He headed back home, his office.

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146 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 9:10 pm

White

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Improv II


What does funny means? I couldn't possibly know, that's why I am asking you dear stupid and also clueless friend. But I can think about it, and I can say to you what a think, as of right now what it means to be funny. I do not crave to be right about what I think, I only crave to have the best ways of thinking at the time being.

I think being funny is to be able to perform and convey concepts that makes the audience feel good in a cynical way about the truths of life. The perform is very important because the stimuli caused by the association of a hypotetical scenario and a truism of everyday life unleashes the senses of a person related to his or her experienced life.

i'll get on to that again later.

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147 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 11:28 pm

Otávio

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A.L. escreveu:e bem vindo de volta IronicNice
agradeço

148 Re: Depósito de Textos Literários em Sab Jul 08, 2017 11:31 pm

Otávio

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149 Re: Depósito de Textos Literários em Seg Fev 05, 2018 12:19 pm

Renato Luiz

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O Eu e o Mundo

O emaranhado de ruídos da cidade martelava meus ouvidos, pressionando meu crânio quase como uma força corpórea. Sentei-me na mureta que dava para a calçada.
Naquela tarde incômoda, minha mente fervilhava. Afazeres, tarefas sem fim, tantas, e o medo de esquecer alguma delas como pano de fundo. Sequer o motivo de cada uma era lembrado; apenas o dever inexorável pairava à minha frente. Era tão importante assim?
Pessoas conversando alto, tossindo, motores de ônibus rugindo, e mil outros veículos, uma sirene de polícia.
Em meio ao grunhido uniforme, uma buzina alta, aguda e estridente se destaca, assustando-me. Eu aguardava o carro cinza me buscar, enquanto a ansiedade devorava-me de dentro pra fora, como vermes a um cadáver.
Uma brisa fresca cortou o insuportável manto de calor daquela tarde. Nesse momento, respirei fundo e decidi me acalmar.
Apanhei os fones de ouvido. O fado da aleatoriedade a que chamam Destino trouxe a música mais adequada, talvez. Um heavy metal moderno, estridente e com trechos melódicos orientais, clamando rebelião entre becos de um subúrbio. A música urbana da Nova Era. Ao menos era um barulho ordenado, com algum sentido.
Eu passei a observar o recorte de paisagem que se descortinava ante mim. A arquitetura insípida dos prédios era opressiva. Senti-me preso numa sala apertada, sem saída.
Mas havia uma janela.
Acima dos edifícios, a abóbada azul despontava, cobrindo tudo com seu véu infinito.
Existia uma saída; apenas inalcançável. Mas vê-la me tranqüilizou.
Logo, vi que em meio à massa áspera, sólida e indiferente de concreto, brotava vida.
Árvores magras erguiam seus galhos folheados sobre os carros e fios elétricos, em direção à pequena janela celeste. Em várias, flores róseas brotavam. Havia cor, afinal.
Desliguei a música barulhenta, e senti um distanciamento de tudo.
Como águas tranqüilas de um lago ao cair da noite, meu espírito se amainou, manso.
Fechei os olhos, respirei fundo novamente, e tomei consciência de mim.
Senti meus dedos do pé, formigando levemente sob a meia; senti meus pés e minhas pernas; fluidos hormonais percorrendo minha barriga, o alto do peito, o coração palpitante, os ombros envergados, passando de um estado de tensão para o relaxamento. Minha cabeça ficou leve, e pendeu confortavelmente.
Dentro dela, porém, houve um despertar.
Na escuridão sob as pálpebras, meu pensamento fluiu para várias lembranças e sensações imediatas, e depois ficou estático. Ele mesmo saiu de cena, e as diversas imagens, emoções e sentimentos, desejos e memórias, amor, raiva, medo, se afastaram, pouco a pouco, até se tornarem longínquos reflexos de algo distante.
E, por trás de tudo isso, no fundo deste quarto escuro, observava, serenamente, o Eu.
O Eu, a única certeza perene e indissolúvel, meio à tempestade torrencial de incertezas.
O incerto, porém, não importava. A autoconsciência despida das volubilidades efêmeras e humanas, erguera-se incólume, confiante, poderosa e sábia.
E essa certeza perece um fio condutor entre o meu Ser e a realidade. E o curso constante do Destino, feito de inconstâncias inúmeras, parecia se desenrolar para mim.
Livre do pesado invólucro, eu finalmente tinha o controle.
Abri os olhos, olhei ao redor, e tudo teve uma nova perspectiva. Senti-me leve.
Um rapaz moreno, de terno, passou por mim rapidamente. Observei-o se afastar. De repente, as pessoas não eram mais vultos sem rostos que passavam, indiferentes. Eram indivíduos, iguais a mim. Eu me via em cada um deles, e perguntava-me seus nomes. Para onde estariam indo, quais eram seus sonhos, seus medos?
A silhueta de uma garota ruiva aproximava-se do outro lado da rua. Seus cabelos alaranjados esvoaçavam atrás de si, em contraste ao vestido claro.
Ela chegou bem perto. Não era tão bonita. Seu rosto simples repleto de sardas tinha algo de sublime, contudo. Ao perceber que eu a olhava, ela ergueu os olhos para mim por uma fração de segundos, e voltou a descê-los, tímida.
Apreciei esse instante, até que ele passou. Ela já estava longe.
De novo, senti o peso do calor. Suor escorreu em minha nuca, até a gola da camiseta preta. Por que preta, afinal?
A luz tornava-se avermelhada, anunciando o fim do dia.
Então, algo vibrou em meu bolso. O celular tocava. Não iriam mais me buscar.
Levantei-me da amurada, e coloquei-me a caminhar, sem pressa, observando tudo com interesse.
Atravessei a avenida, e logo estava na praça. Lá, uma cena alçou minha atenção subitamente.
Bem no centro da praça, uma fonte expelia água, vistosa. E, entre os feixes que jorravam, havia uma criança.
Um menino, gordinho, de cueca, que parecia um indiozinho, brincando e refrescando-se na água, rindo imensamente, sem se importar com mais nada. Apenas um menino.
Aparentemente, não havia adulto algum cuidando dele por perto. Parecia algo fora do lugar. Uma contradição viva. Uma criança, brincando na fonte, sozinha, enquanto o mundo dos adultos ocupados indo pra lá e para cá continuava a girar. Fiquei perplexo. Onde estavam os pais dele? Olhei em volta e não os encontrei. Em seguida, instintivamente, procurei pelo rosto de outros, para ver se estavam tão consternados quanto eu. Um senhor de cabelos brancos, sentado ao longe, parecia também observar o menino, curioso, mas poderia ser apenas uma impressão minha.
Continuei andando, não sem antes dar uma olhada para trás de novo. O menino batia na água com as mãos. Andei mais um pouco, tentando absorver a cena. Que energia infantil, que inocência, que simplicidade! A singeleza daquela criança parecia resumir em si todos os destinos humanos em sua busca eterna por felicidade, por completude.
Um pombo bicava uma migalha, à minha frente. De certa forma, o pombo também representava uma energia: a constante força da natureza, implacável, defluindo em todos os seres com vida, mas ainda una. Uma única Força buscando apenas a sobrevivência, ou em outras palavras, permanecer, prolongar o existir, já fadado a ter um fim.
Mas o menino não queria sobrevivência. Ele queria a água gelada que jorrava maravilhosamente, tocando sua pele, refrescando-o naquele entardecer. Ele queria o divertimento de um instante único, que poderia marcá-lo para sempre, ou logo ser esquecido.
Eu nunca mais o veria. Não sei se ele estava de fato sozinho, nem nunca saberei.
Mas o que sei eu, afinal? Sei que existo. Sei que o menino também. E, do mesmo modo que a planta buscando o sol é como o tigre que devora a presa, eu sou como o menino.
Apenas uma criança, na ânsia de ser feliz.

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150 Re: Depósito de Textos Literários em Qua Fev 07, 2018 12:35 am

Otávio

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Spoiler:

Dante Milano escreveu:Através de imitado sentimento,
Ao ler-te, quanta vez tenho sentido
Como é muito maior o amor vivido
Em ato não, mas só em pensamento.
Então invento o que amo e amo o que invento
Em coisas sem razão tão comovido
Que o ar me falta e o respiro comprimido
Não sei se dá, não sei se tira o alento.
Sabor de amor é esse alto respirar,
Essa angústia em suspiros mal dispersos.
Em amor, que importância tem o ar,
O ar, cheio de fantásticas ações!
Assim, aquele que imitar teus versos,
Primeiro imite o teu amor, Camões

Dante Milano escreveu:Saudade do tempo,
Do tempo passado,
O tempo feliz
Que não volta mais.

Deus queira que um dia
Eu encontre ainda
Aquela inocência
Feliz sem saber

Mas hoje eu sei
De toda a verdade,
Já não acredito
Na felicidade

E quando eu morrer
Então outra vez
Pode ser que eu seja
Feliz sem saber

Spoiler:

Alphonsus de Guimaraens escreveu:
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

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